Tem dias em que o sol e a chuva dividem o mesmo céu.
No último fim de semana, vivi dois movimentos profundos da existência. Celebrei uma nova etapa da vida de uma amiga e, quase ao mesmo tempo, recebi a notícia da partida de um familiar. Alegria e tristeza sentadas à mesma mesa. E a mesa era o meu coração. Eu, no meio de um turbilhão de emoções, lembrando que sentir tudo (às vezes tudo junto & misturado) é a própria vida sussurrando no meu ouvido: ei, se você está sentindo, agradeça. Isso significa que você está viva.
Quando compartilhei a notícia com minha amiga, à beira da piscina, ela começou a agradecer e dizer que vida era aquilo que estávamos fazendo: conectadas no momento presente, aproveitando, celebrando, vivendo. E, no dia seguinte, no velório, percebi que estávamos honrando exatamente o mesmo. A história de alguém que escolheu viver bem, com leveza, com carinho e alegria, cercado de pessoas que o amavam.
Choramos. Rimos. Abraçamos. Silenciamos.
E aprendi que celebrações e despedidas não são opostos. São movimentos do mesmo rio chamado vida.
Ela nos pede coragem para sentir, mesmo quando a dor é avassaladora. Nos convida a amar, mesmo sabendo que tudo é impermanente. E nos lembra que cada encontro carrega em si um pouco de despedida.
E, no fim, o luto não é sobre perder.
É sobre ter tido.